O PSD acusa os outros partidos de fazerem criticas semelhantes aos sucessivos orçamentos que apresenta na Assembleia Legislativa da Madeira. Talvez tenham alguma razão. E, em parte, isso deve-se à constatação de que as políticas subjacentes aos vários orçamentos têm, também, elas, sido semelhantes.
O PSD acredita, e ontem voltou a frisar, que o que é necessário é “aumentar as receitas”. Seja a pedir/exigir mais transferências do Orçamento de Estado, seja a pedir (aqui será mais difícil “exigir”) apoios comunitários. Ou através do aumento do endividamento bancário. Mas para quê mais receitas?
Ora, para que se possa continuar o plano de obras públicas apresentado pelo PSD e desta forma combater, pelo menos parcialmente, o desemprego e a recessão económica. Registe-se que as tais “políticas subjacentes aos vários orçamentos” consistem em planos de obras públicas a serem inauguradas, a um ritmo alucinante, nas duas semanas antecedentes a cada eleição. Repare-se que o pensamento tem lógica e a verdade é que vem garantindo ao PSD sucessivas maiorias absolutas.
Mas parece-me que esta estratégia tem dois problemas centrais. Primeiro: o aumento de “receitas” por via “extraordinária” (OE e UE) não é garantido, o que leva a que a Região fique sempre dependente das conjunturas políticas e económicas e, em Segundo: um aumento de “receitas” feito com base no endividamento fará com que parte dos futuros orçamentos Região fique “cativos”. Se o pior cenário se verificar, i.e., no futuro não se consiga as tais “receitas extraordinárias” do OE e da UE e tivermos uma enorme dívida bancária para cumprir?
Até agora, por este ou aquele motivo, isso não aconteceu. A determinada altura foi a assunção da dívida regional pelo Estado, a que se juntaram os enormes montantes provenientes da UE, a baixa de juros bancários, o crescimento da Zona Franca e, fruto deste aumento de receita, uma grande actividade na construção civil. Será que todas estas condições favoráveis vão se repetir? Na verdade ninguém sabe ao certo, mas que é pouco provável isso é.
Mas a questão mantêm-se: E se a História não se repetir?